Colônia Castrolanda

 In Clipping, Cooperativismo
Uma das marcas de Castro
Edilene Santos
Difícil pensar no município de Castro sem relacioná-lo com a marcante presença da Colônia Holandesa. Hoje quando se fala em Castro logo vêm à cabeça a Cooperativa Agropecuária Castrolanda – fundada na década de 1950 – tradições, costumes e arquitetura trazidos com o primeiro grupo de imigrantes holandeses. “Acho importante manter as raízes porque é nossa origem, embora eu me sinta brasileiro”, comenta o moleiro Rafael Rabbers, integrante da Associação de Moradores da Castrolanda. Para muitos, a Castrolanda (nome que surgiu da junção das palavras Castro e Holanda) é outro mundo dentro do município, mas, para Rabbers, existe sim uma integração com a cidade. “A colônia desenvolve seu papel em Castro e a torna referência na agricultura e pecuária”, afirma ele. A Cooperativa é nacional e internacionalmente conhecida devido à tecnologia de ponta que utiliza na produção de leite, suínos, grãos e outras culturas. A Castrolanda movimenta a economia da cidade, gerando emprego e renda não só aos associados, mas a muitos outros castrenses. Rabbers é quem apresenta os pontos turísticos da colônia aos visitantes. Ele conta que seu pai veio da Holanda com 16 anos de idade e sua mãe, com 13. Os primeiros grupos de imigrantes chegaram a Castro em novembro de 1951 e a transferência encerrou-se em dezembro de 1954. “Eles saíram por causa das dificuldades geradas depois da 2ª Guerra Mundial. Além disso, a Holanda é um país de pequenas dimensões e as famílias, na época, eram grandes. Os casais tinham até 12 filhos”, explica. Hoje a colônia possui cerca de 700 pessoas. Havia três opções de destino para os imigrantes: Brasil, Estados Unidos e Canadá. Segundo o descendente, o Brasil era o único país que aceitava a vinda de maquinários e fez um acordo de doação de áreas em Castro para receber os holandeses, por isso eles optaram pelas terras latino-americanas. O objetivo do governo era incentivar o desenvolvimento agrícola do Brasil usando a tecnologia trazida pelos imigrantes que, inicialmente, ocuparam 5 mil hectares de terra no município. De acordo com Rabbers, além dos equipamentos, os holandeses trouxeram 1,2 mil cabeças de gado. Segundo o moleiro, logo que chegaram os imigrantes tiveram muitas dificuldades em Castro. “Os primeiros 15 a 20 anos foram de muito trabalho e não tinha perspectiva de melhorar. Hoje a realidade é bem diferente, as dificuldades foram superadas e a cooperativa é bem forte”, destaca. A Cooperativa Castrolanda possui atualmente 750 associados e 480 colaboradores nas unidades de Castro, Ponta Grossa, Piraí do Sul, Curiúva, Ventania e Itaberá (SP). Diariamente, a cooperativa produz 420 mil litros de leite, o que torna Castro uma das mais importantes bacias leiteiras do País. Tradição holandesa está em cada detalhe Colônia Castrolanda é um dos principais pontos turísticos de Castro. Suas casas em estilo peculiar mostram um pouco da arquitetura da Holanda, com telhados que permitem a caída da neve, fenômeno normal naquele país. Os jardins bem cuidados e os enfeites chamam a atenção dos visitantes. Mas é a imponência do Moinho, no Memorial da Imigração Holandesa, o ponto alto de quem procura a colônia para fazer turismo. O moleiro Rafael Rabbers é quem leva a reportagem do JMa conhecer o local, inaugurado em 2001. As asas do moinho têm uma envergadura de 26 metros de ponta a ponta e 37 metros do chão até a ponta da asa em posição vertical, fazendo com que ele – que é uma réplica de outro existente na Holanda – seja um dos maiores do mundo. O moinho pode atingir uma velocidade de até 100 quilômetros por hora. O maior moinho está localizado, logicamente, na Holanda. Suas asas medem 31 metros de envergadura. Rabbers conta com orgulho do certificado de moleiro (operador de moinhos) que recebeu direto da Holanda. “Lá os moleiros passam por um curso de 18 meses para receber o documento, mas eu aprendi na prática e fui reconhecido”, revela. Antigamente, os moinhos eram usados para moer grãos e captar água na Holanda. Obsoletos, hoje eles servem apenas como atração turística. Durante a subida do Moinho da Castrolanda, o visitante é levado para um passeio na história. São quadros, roupas, maquetes, fotografias, mapas e diversos outros objetos que contam a história da chegada, instalação e crescimento dos imigrantes holandeses em Castro. Outros pontos de visitação dos turistas é o Museu Casa do Imigrante Holandês, em estilo típico e que exibe móveis doados pelos moradores, a loja Artelanda, que comercializa artesanatos e souvenires e o bar e restaurante Wekedá. O grupo de danças folclóricas, criado em 1953, é mais uma forma de preservar as raízes pelos moradores da colônia.Festas típicas também marcam as origens. No último sábado, a Associação de Moradores da Castrolanda em parceria com a Comissão Orange, Escola Holandesa “Prins Willem-Alexander” e Clube Castrolanda promoveram mais uma edição da Orangefest, a festa da rainha, que é tradicional na Holanda.

Imigração baseada na fé, educação e cooperativismo

Rafael Rabbers ressalta que o fundamental para o sucesso da imigração holandesa em Castro foi a força do tripé formado pela religião, educação e cooperativismo. Segundo ele, o primeiro grupo de imigrantes veio acompanhado de dois pastores e um educador. A religião praticada pelos holandeses é o protestantismo calvinista e ainda hoje é um traço marcante na Colônia Castrolanda. De acordo com Rabbers, todos os domingos são realizados dois cultos, um em língua portuguesa e outro em holandesa. Na área educacional, o moleiro destaca a atuação de professores vindos da Holanda. “Nossa escola tem aulas até a 8ª série em período integral. Também são oferecidas aulas de holandês”. O cooperativismo, por sua vez, levou a Castrolanda a movimentar em 2008 R$ 901 milhões.

2011: Centenário da Imigração e ano da Holanda no Brasil

A Colônia Castrolanda também está envolvida com os preparativos do Centenário da Imigração Holandesa, que será comemorado em abril de 2011. Por conta da festividade, o ano que vem será o ano da Holanda no Brasil. As principais atividades devem se concentrar no município vizinho de Carambeí, porém todas as seis colônias holandesas brasileiras serão beneficiadas. “A Castrolanda será ainda mais divulgada”, comenta Rafael Rabbers. Além de Carambeí e Castrolanda, também há colônias holandesas em Arapoti e nos estados de São Paulo (Holambra I e II) e Rio Grande do Sul (Não-me-Toque). A expectativa é receber as principais autoridades daquele país europeu durante os festejos dos 100 Anos da Imigração.

Castro vai sediar próxima edição da Zeskamp em julho

Os imigrantes holandeses tentam manter a integração no Brasil e uma das principais maneiras de isso acontecer é através da Zeskamp, uma espécie de olimpíada que acontece todos os anos, no mês de julho. Neste ano, de acordo com
Rafael Rabbers, o evento vai acontecer em Castro. A previsão é que aproximadamente mil pessoas participem dos jogos e atividades recreativas.

De origem holandesa, a palavra Zeskamp significa seis campos e faz alusão às seis colônias participantes dos jogos. A primeira edição foi realizada em 1976 em Holambra I. Cada colônia-equipe tem sua cor definida: Arapoti é representada pelo branco; Carambeí, vermelho; Castrolanda, azul; Holambra I, laranja; Holambra II, amarelo, e Não-me-Toque, verde.

Publicado em: 28/04/2010 00:00

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