APHC apoia a 40ª Semana de História Dehis-UEPG

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Uma das atividades alusivas aos sessenta anos de existência do curso de História da UEPG – o segundo mais antigo do Paraná e o décimo sétimo do Brasil – foi a 40ª Semana de História que contou com a presença de historiadores e acadêmicos ligados a UEPG e outras instituições do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Cerca de 400 participantes acompanharam as atividades acadêmicas da Semana, como conferências (ministradas por professores da UEM, UNICAMP, UNESP e UFSC), simpósios temáticos, lançamento de livros e comunicações de pesquisa, e também realizaram visitas técnicas a acervos e espaços museais.

Desde 2009, o Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Dehis), através de seus professores e acadêmicos, tem desenvolvido atividades em parceria com a Associação do Parque Histórico de Carambeí (APHC).

Atividades como a realização de pesquisas, produção de livros, digitalização de acervos bibliográficos e fotográficos, organização do acervo da Casa da Memória e assessoria técnica na concepção e na organização de espaços e acervos do Parque Histórico de Carambeí fortaleceram a parceria e estabeleceram uma vasta produção conjunta.

Em contrapartida a APHC vem apoiando tais trabalhos e contribuindo para a formação de acadêmicos da bacharelado em História e para a ampliação dos bancos de dados do Dehis a partir do compartilhamento integral dos documentos digitalizados desde 2009.

Na 40ª Semana de História, além de contribuir com recursos financeiros, a APHC ficou responsável por uma das sessões técnicas do evento, monitorando a visitação dos participantes da Semana ao Parque Histórico de Carambeí, em 3 de novembro. O presidente da Associação do Parque Histórico, Dick Carlos de Geus, ministrou uma palestra onde contou sobre as dificuldades enfrentadas pelos primeiros imigrantes, ressaltando que a religião, um dos três pilares da colonização holandesa, foi fundamental para a permanência desse povo no Brasil.

Neste dia também foi lançado o quarto volume da série “Imigrantes – História da Imigração Holandesa na Região dos Campos Gerais – A Colônia de Gonçalves Júnior – Irati – Paraná”, para os participantes do evento.

Segundo o Prof. Niltonci Chaves, “a parceria entre o Dehis/UEPG e a APHC, estabelecida há dois anos, já rendeu bons frutos para ambos e tende a se ampliar nos próximos anos, o que assegura a continuidade dos trabalhos e amplia as perspectivas de novos e bons projetos a curto prazo”.

 

 

Confira abaixo o artigo escrito sobre a 40° Semana de História da UEPG, pela historiadora do PHC, Viviane Barão:

“Nos dias 01,02,03 e 04 de novembro ocorreu na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) a 40ª Semana de História tendo como foco principal de discussão o tema “Religião, Cultura e Identidades” conjunto ao 2º Encontro Regional GT “Religião e Religiosidade” ANPUH – PR/SC. Encontro de grande cunho cientifico voltado as mais diversas pesquisas na área das ciências humanas, sociais e criando a interdisciplinaridade entre os demais temas de estudo.

Durante os quatro dias de apresentações, várias foram as abordagens históricas nos mais distintos temas, cada dia teve a apresentação de uma Conferência principal relacionada ao tema central da Semana “Religião, Cultura e Identidades”. A primeira conferência a ser apresentada foi pela Profª Dra.Solange Ramos de Andrade (UEM) que abordou “As crenças e práticas religiosas no Paraná como uma possibilidade de pesquisa”.

Os demais temas abordado foram: “ A história cultural das religiões” conferência proferida pela Profª Dra. Eliane Moura Silva (UNICAMP), “A filosofia católica da História: círculo ‘esticado’” apresentado pelo Profº Dr. Ivan Aparecido Manoel (UNESP – Franca) e a Conferência de Encerramento “Nacionalismo e religiões mediúnicas do Brasil” com o Profº Dr. Artur César Isaia (UFSC).

Experiência de grande valia não somente para o meio acadêmico, mas de extrema relevância para a comunidade e pesquisadores, pois mesmo tratando-se de abordagens históricas específicas é importante ter em mente que a contextualização se faz na contemporaneidade com a análise critica de tudo o que vivenciamos e de tudo o que absorvemos para a formação de nossa identidade, memória e a forma que iremos repassar esse conhecimento adquirido.

Evento de grande importância para a comunidade em geral, mas, sobretudo valiosíssimo para a aplicação em nosso cotidiano de trabalho, pois em seus Simpósios Temáticos muitos foram os assuntos que puderam ser conhecidos em suas especificidades e tantos outros surgiram criando novas possibilidades de análise com vieses distintos.

Dentre os Simpósios Temáticos alguns se adequaram com nossa dinâmica de trabalho no Parque Histórico de Carambeí. Trabalhamos com um acervo de grande diversidade, podemos nos denominar um Museu Etnográfico, mas que se subdivide em diversas outras denominações, grande parte de nosso acervo esta relacionado aos arquivos pessoais e privados, possuímos peças centradas em indivíduos a seu modo muito particulares devido a sua peculiar história de vida.

Pertinente ao fato exposto acima uma das questões de relevância de nosso trabalho e que foi muito abordada na 40ª Semana de História é que a descoberta dos arquivos privados pelos historiadores em geral está, por conseguinte, associada a uma significativa transformação do campo historiográfico, onde emergem novos objetos e fontes para a pesquisa, a qual, por sua vez, tem que renovar sua prática incorporando novas metodologias, o que não se faz sem uma profunda renovação teórica, marcada pelo abandono de ortodoxias e pela aceitação da pluralidade de escolhas. Isto é, por uma situação de marcante e clara diversidade de abordagens no “fazer história” cotidianamente.

Este se torna um dos grandes atrativos do arquivo privado. Por guardar uma documentação pessoal, produzida com marca da personalidade e não destinada explicitamente ao espaço público, ele revelaria seu produtor de forma “verdadeira”: ai ele se mostraria de “fato”, o que seria atestado pela espontaneidade e pela intimidade que marcam boa parte dos registros. A documentação dos arquivos privados permitiria, finalmente e de forma muito particular, dar vida a história, enchendo-as de homens e não de nomes, como uma “história de eventos”. Homens que tem a sua história de vida, as suas virtudes e defeitos e que os revelam exatamente nesse tipo de material.

 

Intenção essa que se fez presente em várias das explanações proferidas no evento. Como exemplo também podemos citar as análises sobre a história imediata. Em nosso dia a dia de trabalho comumente fazemos uma leitura da história pelos fatos que já ocorreram relacionados à imigração holandesa no Brasil, em específico Carambeí – PR, mas  o passo que temos a seguir são as relações que estão em andamento, os processos que ainda estão inacabados em um recorte imediato e que possibilite com um discurso histórico cientificamente construído levar adiante a identificação e complementação das culturas brasileira e holandesa no caso.

Muito se falou sobre o processo de imigração e sua abordagem identitária e cultural nos grupos de imigrantes. O uso da memória como recurso de resistência, não somente para lidar com a dimensão objetiva dos fatos vividos, mas também o lado subjetivo dos indivíduos que constituem os diferentes grupos sociais.

Múltiplas são as abordagens explanadas que podemos fazer uso para o meio em que estamos inseridos, como referência a instituição museológica Associação Parque Histórico de Carambeí caracterizado como Patrimônio com referenciais de cultura material e imaterial no coletivo da memória social.”

 

 

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