Entrevista: Patrimônio Cultural com José La Pastina Filho

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O Almanaque Imigrantes entrevistou o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-Pr), José La Pastina Filho, nesta última edição do ano. Asseguir entrevista completa.

Almanaque Imigrantes – Em sua visão, como o Patrimônio Cultural, material e imaterial, tem sido percebido atualmente pela sociedade?

José La Pastina Filho – A preservação no Brasil efetivamente começa em 1937 e do patrimônio imaterial em 2000. Mas, desde o início do século XX, especialmente com o Movimento Modernista havia uma efervescência na juventude e, também em função da constatação da degradação da antiga capital das Minas Gerais – que era a cidade de Ouro Preto, então estes jovens idealistas, até em busca de uma identidade nacional, apresentaram propostas de criação de um órgão, que eles chamavam de Inspetoria dos Monumentos Nacionais. Mário de Andrade, Rodrigo Melo de Andrade (que presidiu o órgão que veio a se tornar o Iphan) e o então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, iniciaram este processo de sistematização.

De 1937 a 2000, embora a legislação já se pensasse na preservação imaterial, nunca o Iphan teve oportunidade de atuar no patrimônio imaterial, por conta da urgência de atendimento do patrimônio material que eram imensas, como as construções do século XVI e XVII que estavam caindo, mas em 2000 surge uma legislação que institui o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, que estabeleceu o registro destes bens para sua preservação para posteridade.

Desde então, temos no concentrado e realizado estudos e levantamentos de referencias culturais em cidades como, por exemplo, Lapa e Paranaguá, e neste ano iniciaremos os estudos das imigrações mais novas, começando pela Eslava e depois indo para os japoneses e os holandeses. Hoje as pessoas estão mais preocupados,o que é muito bom, com a preservação dos valores imateriais de nossa cultura.

AI -Quais são os principais ícones patrimoniais do Paraná? Como os Campos Gerais se representam?

JLF -O Paraná pode ser dividido em três, o tradicional que surge no processo de ocupação, através da baia de Paranaguá, por meio dos portugueses, que estavam na região de Santos, e que chegaram aqui devido a procura de ouro.

A partir do século XV, quando tivemos as primeiras sesmarias concedidas em Castro, seguindo o caminho das tropas de muares – que gerou uma série de cidades, e no século XIX quando tivemos a imigração européia.

O caminho das tropas tem grande importância neste processo, além da questão arqueológica, pois este já era utilizado a milhares de anos por povos coletores, por ser o caminho mais fácil de locomoção, onde encontramos pinturas rupestres. Este caminho depois foi feito pela estrada de ferro Brazil Raailway Company e na sequência, paralelamente, tivemos o surgimento da estrada de rolagem.

AI -Em Carambeí, Ponta Grossa e Castro, a ferrovia (Brazil Railway Company) foi no passado um agente concreto do desenvolvimento. Atualmente, como poderia ser integrado o patrimônio ferroviário aos conceitos de turismo cultural sustentável?

JLF – Com a extinção, em 2007, da Rede Ferroviária Federal S.A. todo patrimônio histórico passou a ser incumbência do Iphan e, por isso, estamos em processo de inventariado. Queremos recuperar alguns trechos para utilização turística, resgatando a história e tornando-a auto-sustentável, e nós temos exemplos disso como Tiradentes / São João Del Rei.

AI – Como vê as atividades do Parque Histórico de Carambeí, especialmente através da Coleção Bibliográfica Imigrantes?

JLF – Nós ficamos maravilhados com o trabalho desenvolvido pelo Parque Histórico, no tratamento da importância da educação patrimonial, da inserção na comunidade e na difusão deste conhecimento. Por esta razão nós estamos nos propondo a difundir para o Brasil inteiro, para todo o Iphan, o trabalho que está sendo realizado.

Curiosidades – Patrimônio Histórico

Material – Constitui-se pelo acervo físico que se traduz em construções, sítios arqueológicos e paisagísticos, coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.

Imaterial – Que são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que a comunidade reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural, como por exemplo, o modo de se fazer o Acarajé, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano e o Fandango do litoral paranaense.

Tombamento – De modo geral, quando é detectada a importância histórica, artística e cultural de algo, este é Tombado. O termo provém da herança cultural portuguesa, pois em Lisboa, ao lado da costa litorânea, o Império tinha a chamada Torre do Tombo, que levava esse nome por conta das ondas que ‘tombavam’ próximo. Neste local funcionava o arquivo público e tudo era anotado nos popularmente chamados de livros do tombo, daí a ligação.

Estes documentos eram relacionados em livros, os livros de assentamento, que popularmente ficaram conhecidos como livros do tombo e a partir daí chegamos ao termo tombamento.

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