Sustentabilidade e um novo olhar na natureza

 In Clipping, Sustentabilidade

Periodicamente são lançados neologismos para identificar problemas. A maioria dos problemas é antiga, mas as frases de efeito, as palavras que sintetizam tudo são novas, novíssimas. Mesmo que algumas delas não digam nada, têm sonoridade, instigam, fazem as pessoas prestarem a atenção. Então, temos na Rio+20 a sustentabilidade. Ser for uma sustentabilidade transparente e lançando um novo olhar sobre a natureza, será a glória dos teóricos da Rio+20, mesmo que muitos líderes não venham ao encontro. É que países como os Estados Unidos e outros, na Europa, estão pensando mais em como socorrer bancos, colocar as respectivas economias em andamento e acabar com a crise sem fim que vem desde 2008. No entanto, os três dias reservados para a última rodada de negociação do documento da Rio+20 antes da reunião de cúpula dos chefes de Estado não foram suficientes para se chegar a um consenso satisfatório. Como sempre, aliás.

As ONGs estão decepcionadas com o documento que será analisado pelos governantes. Os principais impasses continuam em torno do fortalecimento do programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) e sobre os temas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – pelos quais os países avançariam como uma segunda etapa dos Objetivos do Milênio, um conjunto de oito metas estabelecidas pela ONU em 2000 e que devem ser atingidas por todos os países até 2015. Espera-se que a Rio+20 tenha um impacto ainda maior que a Eco-92 para a vida e o futuro das pessoas e a saúde do planeta. É bastante otimismo, mas é melhor que seja assim. A Eco-92 também foi realizada no Rio de Janeiro quando Fernando Collor era presidente e teve a participação de 108 chefes de Estado. Há divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre princípios acordados desde a Eco-92. Entre eles, o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, para se chegar ao desenvolvimento sustentável. O jogo do entendimento será como mudar esses princípios nem criar outros ou apagar os acordados.

A principal tarefa é criar as bases para que o desenvolvimento dos países seja, de fato, sustentável. Vimos nos últimos anos algum crescimento econômico, mas nem tanto avanço em desenvolvimento social e proteção ambiental. Na verdade, regredimos em muitos casos. Portanto, os princípios de 1992 continuam igualmente válidos, se não forem mais válidos ainda. Todos os países têm compromisso com as mudanças, mas os ricos têm mais, porque historicamente contribuíram demais com a degradação do planeta. A crise econômica, há 20 anos, afetava sobretudo os países em desenvolvimento. Hoje, o que antes era considerado periferia está trazendo respostas. A periferia, de certa maneira, virou o centro. A esperança é que alguma coisa positiva seja acordada no Rio de Janeiro.

 

Fonte:

Jornal do Comércio

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