Os holandeses em Carambeí e o legado da prática leiteira

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“O sonho dele era de emigrar para um país com um clima mais ameno, aonde poderia ser dono do seu próprio negócio” – Niesje Verschoor sobre o seu pai, Jan Verschoor.

Quando os pioneiros vieram para Carambeí em 1911, trouxeram consigo além do intuito de prosperar em solo brasileiro, as suas práticas culturais e suas técnicas de produção leiteira enraizadas em uma tradição láctea holandesa. Este saber-fazer veio à culminar na conjuntura econômica da colônia.

Leenderdt de Geus ordenhando - 1913

Leenderdt de Geus ordenhando – 1913 (Acervo APHC)

Em 1916, por inciativa da Brazil Railway Company, é instaurada a primeira fabrica destinada à produção de manteiga e queijo naquela localidade. Na mesma década surge a Queijaria de João Los, com o “Queijo Carambehy”, já em 1925, a firma De Geus & Companhia denominada “Queijo Batavo”, é criada por duas famílias de colonos, e o seu comércio já atingia o interior paulista. Aos poucos, as práticas pecuárias leiteiras e a fabricação de laticínios foram se demonstrando uma vocação destes imigrantes.

década de 10 - Logo Fabrica de queijo de geus e cia
Década de 1910 – Logo Fabriqueta de Queijo de Geus e Cia (Acervo APHC)

década de 10 - Logo queijaria João Los
Década de 1910 – Logo Fabriqueta Queijaria João Los (Acervo APHC)

“Fazer queijo não me parece difícil. O leite da noite é um pouco aquecido desnatado e depois misturado ao leite da manhã. Após coalhar, a substância deve ser cortada com cuidado, caso contrário, muita manteiga ficará dentro dela. […] As formas são preenchidas rapidamente e colocadas embaixo da prensa. Depois de observar muito tempo, eu pensava que já havia aprendido a profissão de queijeiro naquele mesmo dia.” – Kooy sobre o cotidiano de Jacob “ko” van Wilpe, que era um aprendiz da área leiteira na chácara de Aart Jan de Geus, no final da década de 1920.
Nessa mesma década, devido à algumas dificuldades financeiras e uma tentativa sem êxito de buscar um empréstimo no governo da Holanda para sana-las, os proprietários desse empreendimento leiteiro criaram, em 1925, a Sociedade Cooperativa Hollandeza de Laticínios, e mais tarde, em 1928, a marca Batavo que viria ser conhecida pelo Brasil inteiro.
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Logo da criação da Sociedade Hollandeza de Laticínios BATAVO (Acervo APHC)

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Criação da Sociedade Holandeza de Laticínios Ltda (Acervo APHC)

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Produção leiteira da sociedade holandeza (capacidade máxima cerca de 2000 litros de leite por dia) ACERVO APHC

Até 1950, praticamente toda agricultura local era voltada ao manejo de produção de alimentos para o gado de leite, pois a área leiteira era a principal fonte de renda dentro da colônia. No entanto, o que se produzia ali era pouco consumido entre os imigrantes e os seus descendentes, pois o seus fins eram comerciais.

Fábrica de queijo década de 1940
Fábrica de queijo década de 1940 (ACERVO APHC)

Um dos produtos criados pela Batavo que se destaca como um exemplo de produção e inovação comercial é a bebida achocolatada conhecida como “Choba”. Seu nome é a junção das palavras chocolate e batavo. Posteriormente, ela passa a se chamar “Chocomilk” e adquire destaque no mercado brasileiro assim que se torna um sucesso de vendas. Essa inovação mercadológica deste simples produto serve para ilustrar um procedimento tecnológico que expande a validade e as possibilidades de consumo das bebidas derivadas do leite. Esse destaque realça um procedimento que, iniciado em 1951, ainda possui uma dimensão que é sentida até os dias de hoje no mercado de bebidas lácteas.

Texto: Lucas Kugler – Graduando em História Bacharelado pela UEPG e estagiário do Núcleo de História e Patrimônio do Parque Histórico de Carambeí.
Imagens – Acervo APHC

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