Os desafios da arquitetura holandesa nos séculos XVI e XVII

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De Gouden Bocht in de Herengracht in Amsterdam vanuit het oosten, Gerrit Adriaensz. Berckheyde, 1671 – 1672 (Acervo – Rijksmuseum)

A Holanda é o país com maior densidade populacional da Europa, o que levou os holandeses a serem criativos para construção de suas cidades. Foi no século de ouro que houve constantes investimentos nas áreas de construção e urbanismo na Holanda. A burguesia rica se orgulhava do esplendor de suas cidades, enquanto outros países se orgulhavam do patrimônio familiar. A paisagem cinza da cidade se destacava com o verde dos campos. Sua arquitetura apresenta distinções em diferentes regiões e épocas. No início do século XVII a maior parte das cidades ainda era cercada por muralhas de tijolos, com pequenas torres e também um fosso. Outro aspecto nas cidades é a ponte levadiça que se abre para um canal. Porém, esse modelo de fortificação na cidade não foi mantido, salvo casos de fortalezas conservadas por motivos estéticos.

Stadsgezicht, geïnspireerd op de Kolksluis te Amsterdam, Samuel Verveer, 1839 (Acervo – Rijksmuseum)
Stadsgezicht, geïnspireerd op de Kolksluis te Amsterdam, Samuel Verveer, 1839 (Acervo – Rijksmuseum)

É nessa período que se tem o início do processo de pavimentação das ruas mais importantes da cidade e praças, dando à cidade um tom mais moderno. A pavimentação é dupla: no centro possui tijolos ou pedras, alinhados de maneira rude e grosseira, para a circulação de carruagens; ao longo das casas possui tijolos mais apertados, destinados à circulação de pedestres.

O holandês parece ter se acostumado a um habitat próximo à água. Mesmo no campo, a casa do camponês é cercada por um fosso. Entre a via dupla sempre se encontra um canal, nos bairros ricos o canal é orlado por árvores, olmos ou tílias. Os bairros pobres possuem ruas não calçadas rodeadas por casas de madeira, de tipo medieval. As ruas principais ainda possuem casas de madeira, porém, o costume era e é a construção em tijolos e para a ornamentação das fachadas era utilizado o arenito. As primeiras casas reproduziam formas de edifícios antigos, revelando em suas fachadas seus andares. Posteriormente, uma regularidade para a construção foi adotada e construíam-se casas mais largas do que altas. Espaços como terrenos baldios aos poucos iam sendo transformados em passeios públicos e praças.A cidade holandesa conta com poucas casas grandes em largura, há preferencia para edifícios relativamente pequenos em sua largura e separados um do outro por um pequeno espaço, mesmo nos centros urbanos esses espaços não passam de centímetros. Dois ou três andares formam o padrão, com o passar do século a altura dos prédios torna-se um sinal de riqueza para a grande burguesia.

RP-P-1890-A-15700Stadsgezicht, Eberhard Cornelis Rahms, 1884 (Acervo Rijksmuseum)

As janelas são numerosas, a casa holandesa padrão raramente apresenta mais de seis janelas em sua fachada. Os telhados são geralmente inclinados para evitar a penetração da chuva e neve, o que pode levar o telhado desabar. O térreo possui uma porta que se abre para a rua e uma marquise horizontal chamada luifel. Os detalhes diferem muito segundo a classe social do morador.O espaço no interior das casas é restrito, as escadas são estreitas com andares curtos. Levando isso em consideração e para facilitar as mudanças, cada casa possui uma roldana no topo do telhado, onde os móveis são puxados por uma corda e colocados na casa pela janela. As casas mais simples mostram um único luxo, o verniz em suas janelas e portas, geralmente são mais baixas, raramente ultrapassam um andar. No século XVII, as casas das pequenas aldeias periféricas muitas vezes não possuíam paredes ou divisórias e o espaço era divido com os animais.

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Interior da reprodução do espaço temático ‘Casa Holandesa’ no Parque Histórico de Carambeí

Lenhadores habitavam cabanas sem janelas, enterradas ao no solo. As aldeias eram cercadas com um fosso, como de costume. A rua também exerce uma função sociológica e política, as corporações se organizam em ruas particulares, como: rua dos latoeiros, dos sapateiros, padeiros, etc. A cidade se define como um conglomerado de pequenos mundos, cada um com suas particularidades. As profissões dão nomes às ruas e também às casas, comumente havia insígnias na fachada das casas identificando a profissão ali exercida. São esses aspectos que tornam a arquitetura holandesa algo tão peculiar.

De huisvrouw, Abraham van Strij (I), 1800 – 1811 (Acervo – Reijksmuseum)
De huisvrouw, Abraham van Strij (I), 1800 – 1811 (Acervo – Reijksmuseum)

Referências
ISRAEL, J. Poderes da Coroa: 1600-1700. A República Holandesa. Abril Livros, Time Life, São Paulo, 1992.
ZUMTHOR, P. A Holanda no tempo de Rembrandt. Companhia das Letras, 1959.

Texto: Vilmar Felipe Batista Carvalho, graduando em História Bacharelado e estagiário do Núcleo de História e Patrimônio do Parque Histórico de Carambeí.
Imagens: Reijksmuseum/ APHC

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