Acervo bibliográfico do Parque Histórico conta com cerca de 2mil títulos

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Os livros que compõe o acervo do museu são disponibilizados para pesquisadores como fonte para embasamento teórico. 

O Parque Histórico de Carambeí possui um acervo bibliográfico composto por cerca de 2 mil títulos catalogados. Os historiadores e estagiários de história que integram o Núcleo de História e Patrimônio do museu relatam que é possível conhecer o modo de vida da comunidade pelos hábitos de leitura, de acordo com o gênero literário.

Composto por livros religiosos (bíblias, hinários), voltados a educação (didáticos), literatura, romance, fotografias, culinária, esporte, biologia, agronegócio, moda, tricô, manuais de manejo de solo e de mecânica para maquinários agrícolas, jornais e revistas da Holanda e de circulação interna da colônia. O historiador Leonardo Pugina afirma que o acervo bibliográfico da instituição é muito rico e fala de algumas curiosidades encontradas. “No acervo há títulos interessantes, que não imaginávamos que eram consumidos pela comunidade, como: coleção de novelas da Globo em forma de revista, material de guerra, guias que contam a história de um esporte e ensinam a praticar. O hábito da leitura entre os imigrantes holandeses e seus descendentes fez com que o índice de analfabetismo dessa comunidade fosse nulo, a Colônia consumia títulos diversificados “.

O historiador e coordenador cultural do Parque Histórico, Felipe Pedroso, reforça que é possível conhecer a comunidade pelos hábitos literários e completa relatando outros títulos curiosos que são encontrados. “O acervo bibliográfico possibilita uma leitura incrível da comunidade de imigrantes, ele nos revela não somente seus hábitos de leitura, mas os valores que esses indivíduos compartilham, o resgate da história intelectual e a formação de suas mentalidades. Entre os itens do acervo há títulos raros e em diversas línguas, como javanês, malaio e indonésio, provindos da relação da Holanda com sua antiga colônia Índias Orientais Neerlandesas, atual Indonésia.  Entre os itens curiosos há um manual de dança folclórica ilustrado dos anos 1920, um livro de receita em alemão gótico e cadernos ilustrados com o casal real, a Rainha Juliana do Reino dos Países Baixos e o Príncipe Bernardo”.

A comunidade preocupava-se em manter suas tradições e isso é possível observar pela práticas literárias do grupo. “Por muitos anos a Colônia mantinha algumas práticas identitárias holandesas, como a preservação da língua e por isso liam livros de gêneros diversos, mas relacionados a Holanda. Como 80 por cento dos títulos do acervo do Parque são em holandês é perceptível que a comunidade se preocupava em manter as tradições linguísticas”, afirma Pugina.

O trabalho de catalogação dos livros da instituição é essencial para conhecer o acervo e auxilia o pesquisador, para que este possa ter acesso a documentação e contribui em seus estudos. A estagiária do Núcleo de História e Patrimônio, Karen Barros afirma que é necessário coletar o maior número de informações sobre cada objeto que compõe o acervo da instituição. “Precisamos conhecer o acervo profundamente. Além da catalogação é importante mapear os doadores dos livros, em um segundo momento, conhecer histórico de cada título, saber a quem pertenceu, quem doou e qual o motivo, se comprou e onde comprou o livro ou se ganhou, conhecer os hábitos do doador. Muitos livros possuem recortes dentro dele, sabendo a quem pertenceu e tendo um pouco mais de informações é possível entender melhor a história da comunidade”.

Somente quando for finalizada a catalogação do acervo bibliográfico e a descrição das coleções será possível conhecer o potencial que esse material possui. A estagiaria ainda ressalta que esse material é uma excelente fonte de pesquisa. “Em posse do acervo é possível nortear pesquisas distintas, conhecer não só a história da comunidade, mas definir outros temas para pesquisas. Cada etapa do trabalho que estamos realizando é fascinante e de novas descobertas”, anima-se

O acervo bibliográfico do Parque Histórico está disponível para pesquisadores utilizarem como fonte, no entanto os livros não são liberados para empréstimos e devem ser consultados no museu em horário agendado com antecedência. Mais informações como historiador Leonardo Pugina pelo telefone 42 3231-5063 e pelo e-mail [email protected].

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