Carambeí, o retorno às origens nas tradições artesanais de sua gastronomia

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Comunidade resgata a tradição de seus ancestrais e investe na produção artesanal de queijos, linguiças e carnes defumadas.

Carambeí é uma cidade no interior do Paraná, com cerca de 22 mil habitantes, conhecida pela imigração holandesa que trouxe a prática leiteira para a região, com a industrialização dos derivados consequentemente o desenvolvimento econômico. A gastronomia que se fortaleceu com a industrialização agora passa para um processo reverso, retornando às origens com a produção de alimentos artesanias e isso é possível observar com a comunidade que está investindo em uma produção diferente, artesanal e afetiva.

“A gastronomia é um forte elemento para materializar a história e a cultura do local, essa volta às origens, a produção artesanal, como na época dos antepassados, fortalece o orgulho e envolvimento da comunidade, essencial para o desenvolvimento sustentável do turismo, valorizando a identidade e tradição do território”, afirma a consultora do Sebrae Nádia Joboji.

As duas primeiras marcas de queijos comercializadas em Carambeí

O presidente do Parque Histórico de Carambeí, memorial da imigração holandesa em Carambeí e maior museu histórico a céu aberto do Brasil, Dick Carlos de Geus está animado com o interesse em resgatar a gastronomia artesanal, a história dos imigrantes que fizeram muito pelo desenvolvimento do município, com efeito suprirá uma demanda existente. “Sem dúvida que o surgimento de produtos artesanais como queijo, salames, linguiças, produzidos por imigrantes holandeses e seus descendentes foi muito importante para o desenvolvimento econômico de Carambeí. Esse retorno às origens, essa volta ao passado, resgatando o trabalho dos pioneiros que produziam esses alimentos artesanalmente irá suprir uma carência que tínhamos de produtos produzidos pela comunidade”,

O historiador do Parque Histórico Felipe Pedroso, especialista em História da Alimentação e Gastronomia Internacional, explica que essa transformação e retorno ao passado é comum na história. “Existe uma teoria dentro da historiografia que descreve a história como cíclica, ou seja, o que aconteceu, se repete, nessa perspectiva temos o retorno às origens na produção alimentar comercial em Carambeí. A cidade que nasceu do crescimento da colônia de imigrantes e teve seu apogeu econômico em decorrência da produção de queijos e produtos derivados do leite, passou por um processo intenso de industrialização, mas hoje, acompanha uma tendência no mercado gastronômico, o do retorno às origens, o que significa a valorização do preparo tradicional e a predileção aos produtos regionais e frescos”.

Professor do curso de Gastronomia na Unicesumar, doutor Paulo Ricardo Los fala da tendência no setor com a intensificação da produção artesanal e que ela traz gosto singular aos produtos. “Realmente, hoje nós focamos muito nos sabores originais, na produção como era antigamente, sem aditivos ou ingredientes que modifiquem demais os produtos. Esse é o foco, resgatar o que antigamente era feito à mão, com toque, transmitindo emoção para o alimento. Todos esses detalhes certamente são sentidos e degustados por quem experimenta esse tipo de produto”.

Os turistas estão em busca de novas experiências e a gastronômica artesanal, que conta uma história, proporciona uma vivência singular, expõe Nádia. “Essa tendência na gastronomia, que resgata além das origens, o prazer de comer bem, apreciando a história, os alimentos frescos, tem tudo a ver com o turismo. As pessoas querem ter experiências únicas e esses empreendimentos podem trazer essa conexão com o lugar e o tempo, por meio da gastronomia que era feita pelos antepassados”. Dick, gosta muito de viajar e conhecer outras culturas, como turista reforça que: “Turistas sempre estão dispostos a comprar ou experimentar coisas novas, principalmente produtos artesanais, de qualidade e que carregam consigo uma herança cultural”.

A inclinação de Carambeí para a gastronomia artesanal fortalece no munícipio pela história que está por traz. O historiador comenta que o resgate de receitas familiares e processos na produção, o retorno aos produtos feitos pelos colonos são enriquecedores para proporcionar novas experiências aos turistas. “A culinária artesanal vem ganhando força no cenário competitivo da alimentação e juntamente com outras tendências, como: da gastronomia de imigrantes, valorização do produto local, orgânicos, sustentabilidade e aproveitamento total do alimento, são o mote desse comportamento que vem apontando na gastronomia de Carambeí, que tem uma rica história atrelada a uma variada matriz culinária, neste caso, o retorno às origens era uma questão de tempo e têm como consequência oferecer aos clientes uma experiência gastronômica diferenciada, com muito valor agregado unido à práticas tradicionais”.

Descendente das primeiras famílias de imigrantes holandeses, o presidente do Parque está animado com essa nova fase que impulsiona o turismo. “Por parte dos produtores e para comunidade, esse retorno da produção artesanal gera um saudosismo, é importante que estes tenham se animado em produzir produtos de qualidade e com história, já que os turistas que chegam em nossa cidade buscam novas experiências: de vivenciar culturas e os sabores da imigração”. Nádia diz que a gastronomia pode ser um ponto decisivo na escolha dos destinos turísticos. “Quando a gastronomia é aliada ao turismo, motiva os turistas na escolha de suas viagens, pois pode aguçar todos os sentidos, sendo transformador para quem usufrui dela, um incremento fundamental para formatação de novas rotas turísticas”.

 

CARAMBEÍ NA ROTA DO TURISMO GASTRONÔMICO

Em 2019 Carambeí recebeu cerca de 220 mil turistas. O Parque Histórico, um dos principais atrativos turísticos dos Campos Gerais, encanta e atrai visitante que estão em busca de uma experiência ímpar e a gastronomia aliada ao passeio permite que o visitante tenha uma vivência completa durante o passeio na cidade.

Elizabeth e Fredeica Dykstra no café no Parque Histórico de Carambeí

Frederica Dykstra é pioneira no resgate de receitas de família e explora a tradição comercialmente. Começou a produzir e vender tortas a convite da diretoria do Parque Histórico, com o intuito de atender a demanda de visitantes do museu, em pouco tempo seus produtos ganharam fama e colocaram Carambeí na rota do turismo gastronômico.

“Quando tudo iniciou em 2002, após o convite da diretoria da então Casa da Memória, atual Parque Histórico, para nossa família assumir a confeitaria local, nós não imaginávamos que fazer torta se tornaria de fato o negócio da família, com ótima aceitação e um feedback que nos traz entusiasmo a continuarmos oferecendo nossas tortas, proporcionando uma experiência gastronômica que não fica no apenas degustar tortas, mas sim uma experiência maior, em conhecer um pouco da história da colonização holandesa e como sua cultura ainda está presente em nossa cidade, com a qual temos o orgulho de contribuir um pouco, através da gastronomia”, Christian Dykstra, diretor e sócio proprietário do Frederica’s Koffiehuis.

A tradicional Casa de Tortas abriu portas para outros empreenderes no setor, nota-se que há demanda para produtos artesanais e que levam a história da imigração. Christian incentiva os novos empreendedores da comunidade que estão resgatando a tradição de seus antepassados. “O que temos de mais rico é a nossa história. Valorizar, mostrar e compartilhar ela com outras pessoas é importante, é uma forma de mantermos ela viva. As pessoas cada vez mais estão se interessando e buscando por essas ‘histórias’, seja pela arquitetura típica, gastronomia, tradições, etc.  Com um bom planejamento, por que não explorar ela como uma oportunidade de negócio?”

O retorno da produção artesanal de queijos

A comunidade está começando a investir em outros produtos artesanais, como a Dutch Lady que é uma queijaria artesanal. A empresa está no mercado desde 2017 com a proposta de proporcionar ao púbico um produto de qualidade e levar o sabor do tradicional queijo holandês. Nathalia G. Dijkstra, sócia da Dutch Lady, se sente estimulada por retomar uma atividade de seus ancestrais. “A nossa origem está atrelada a imigração holandesa e o fato dos nossos antepassados terem iniciado com uma queijaria é um fator que impulsiona, está no sangue”.

Para meados de 2021 os turistas terão mais uma opção de passeio em Carambeí, o Het Dorp, que significa “vilarejo” em holandês, será um lavandário e contemplará uma queijaria artesanal. O dr. Paulo Los, da quinta geração da família de imigrantes, será o responsável em resgatar e difundir a tradição de seu tataravô na produção de queijos. “Moro numa cidade tipicamente holandesa, onde uma das maiores heranças é a produção de lácteos, porém, atualmente dominada por grandes indústrias. Assistindo a esse cenário, percebi uma demanda grande para que as pessoas conheçam de onde vem os produtos, que ocorra essa conexão novamente, com o alimento, daí surgiu a ideia, trazer a queijaria para as pessoas, e não somente o queijo”.

Ângela Dijkstra, casada com descendente de holandês, vem fazendo teste e promete comercializar seus queijos no próximo ano. “Temos a matéria prima, sou apaixonada por queijo, há dois anos estou fazendo alguns testes e elaborando um projeto de comercializar os meus produtos no próximo ano”.

Resgate da produção de carnes defumadas e maturadas

A tradição das tortas em Carambeí é recente, iniciou em 2002, ainda não chegou aos 20 anos, foi transformada do costume dos imigrantes de tomar café com bolo. A prática leiteira e a produção dos derivados foi o que impulsionou o desenvolvimento econômico do município. Os imigrantes também eram conhecidos por trabalhar com maturados e defumados, descendentes destes colonos ligados a tradição das carnes encontraram na produção artesanal um modo de eternizar seus antepassados e estão resgatando essa cultura.

“O sabor da linguiça preparada por meu pai e da carne defumada são únicos, não encontramos por aí. Retomar essa atividade, produzir um produto de qualidade e com sabor inigualável, foi a forma que encontrei para manter a memória dele viva”, afirma Ari Los.

O que motivou David Nolte a retomar uma atividade de seus avô e bisavô foi o gosto em trabalhar com carnes, ver a sua esposa e cunhada produzindo queijos foi o ponta pé que precisava. “Sempre gostei de preparar carne, costela e leitão assados. Vendo a Camila e a Fabiane com a queijaria, o trabalho artesanal com produto de qualidade e sem aditivos, me fez pensar em retomar as atividades do meu avô e bisavô e investir na produção de defumados e maturados”.

 

RESGATE E DIFUSÃO DA MEMÓRIA DOS IMIGRANTES POR MEIO DA GASTRONOMIA 

Frederica’s Koffiehuis

 

Frederica ainda guarda o avental que pertenceu a sua avó, de quem herdou o dom da confeitaria

Frederica Dykstra, filha do imigrante holandês Job Boot e de Clara Elisabeth Verschoor Boot descendente de uma das primeiras famílias de imigrantes que se estabeleceram em Carambeí, recebeu o nome da avó materna de quem herdou o dom da confeitaria e com muito amor transformou a aptidão em um negócio de família. Desde 2002, quando foi convidada pela diretoria do Parque Histórico para administrar um café e servir lanches aos turistas, trouxe para Carambeí o título de Cidade das Tortas e colocou o município na rota do turismo gastronômico.

A tradição de seus antepassados de reunir a família, às 10h, para tomar café com bolo foi mantida por Frederica que transformou o amor pela confeitaria e a habilidade de preparar deliciosas receitas em um negócio familiar.

As tradicionais receitas holandesas conquistaram o público

As tradicionais receitas de família foram aperfeiçoadas, outras receitas foram criadas, mas a essência da produção artesanal permanece e o pequeno café que surgiu no Parque Histórico, com poucos sabores de tortas e ao logo dos anos cresceu, o cardápio ganhou novos sabores. Frederica, possui espírito empreendedor e sonha abrir franquias, mas este será um processo minucioso, com muitos requisitos para que a qualidade e o sabor que encantam ao público continuem único.

Mais informações sobre o Frederica’s Koffiehuis pelo o site www.fredericas.com.br, ou telefones 42 3231-4401 e 42 98412-1104.

 

Dutch Lady

Chegada do gado holandês ao Brasil

A tradição láctea trazida para Carambeí pelos imigrantes holandeses, se fortaleceu com a chegada do primeiro gado diretamente da Holanda pela família Dijkstra, no ano 1947. Esse legado corre nas veias de Fabiane Greidanus, por parte de mãe e pai, após se formar em nutrição passou a pesquisar receitas caseiras de queijo frescal para produzir em casa.

No ano de 2016 Fabiane e seu pai, Maurício Greidanus, fizeram um curso de queijo na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Montaram uma pequena queijaria nos fundos de sua casa e em 2017, a partir daí começou a produzir queijos para comercializar.

Tradicional queijo holandês tipo gouda produzido por Ducth Lady está conquistando o público

Baseada em uma tradicional receita de família e por meio de pesquisas, Fabiane criou a receita do seu próprio queijo. “Tenho uma receita antiga que uma tia avó me deu, mas acabei adaptando a minha receita a essa. O queijo que fazemos não segue exatamente uma receita de família, e sim uma adaptação de várias receitas de queijo gouda que pesquisei, e com o passar do tempo criei a minha própria receita. Hoje conto com a minha irmã Camila na produção”, relata Fabiane.

Nathalia G. Dijkstra é descendente da família de Geus e carrega a tradição da produção dos famosos queijos de Carambeí, prima da Fabiane e da Camila, sócia na queijaria, se dedica a prospectar novos clientes para a Dutch Lady que é a marca utilizada para comercializar os queijos.

“Estamos em busca de parcerias para que o público conheça os queijos da Dutch Lady, nos preocupamos com a qualidade para atender aos paladares mais exigentes. Há carência de produto bom no mercado, no Brasil tem poucas queijarias fazendo um produto de qualidade, o público vê a diferença e acaba nos procurando”, anima-se Nathalia.

A Dutch Lady produz queijo coalho e frescal que os são frescos, ficam prontos de um dia para o outro. O queijo holandês tipo gouda é o carro chefe da queijaria e precisa de mais cuidado na produção, leva no mínimo três meses de maturação para ficar pronto para consumo.

Os produtos da Dutch Lady estão disponíveis para venda no Parque Histórico de Carambeí, pelo e-mail [email protected] e pelo telefone 42 99104-7714.

 

Het Dorp

 

Jan Los: pioneiro na colônia com a produção de queijos artesanais

Paulo Ricardo Los é descendente de imigrantes holandeses, neto e filho de produtor de leite, desde pequeno ouvia histórias do seu tataravô, Jan Los, pioneiro na produção de queijo em Carambeí. Relata que durante sua formação acadêmica tinha o sonho de retomar o ofício de seus antepassados e trabalhar com a produção de queijo.

“Durante minha formação, em Engenharia de Alimentos, já fazia alguns projetos relacionados a isso. No último ano tive oportunidade de me especializar nos EUA, em uma queijaria, gerenciada por um holandês, que inclusive trabalhou em Carambeí nos anos 90, mundo pequeno! Fiquei lá por um ano, e fui aprendendo muito. Mais tarde no mestrado e doutorado, essa paixão só foi aumentando, fiz muitas pesquisas sobre o assunto, e hoje posso considerar que tenho uma bagagem muito boa sobre o processo de produção. No meio disso tudo, sempre correu nas veias aquela vontade de abrir uma queijaria, voltar às origens, resgatar essa memória do que um dia levou ao desenvolvimento de Carambeí, e hoje posso dizer que tudo está se concretizando”.

O jovem empreendedor se sentiu instigado a montar uma queijaria pelo cenário que envolve Carambeí, a tradição trazida pelos imigrantes e busca dos turistas por conhecer esse legado.

Paulo lamenta não possuir a receita de queijo produzido por seus antepassados, mas irá aproveitar a sua experiencia e conhecimento científico para trabalhar com receitas europeias e fazer as adaptações necessárias para conquistar o público.

Dr. Paulo Ricardo Los especialista em queijo está criando suas receitas

“As receitas vêm de muitos lugares, algumas elaboradas por mim, outras adaptadas da Holanda, e algumas muito típicas e já conhecidas. Infelizmente não temos nenhum registro dos queijos que eram fabricados por meu tataravô, mas vamos buscar adaptar as receitas tipicamente europeias. Os queijos que serão fabricados vão desde o típico Gouda, até queijos de diferentes países como Itália, Dinamarca e França. Tem segredo, claro, mas não posso contar!”

Até meados de 2021 o Het Dorp, que significa “a vila” em tradução literal do holandês, empreendimento criado pela família do Paulo e que contemplará a queijaria, estará aberta ao público. Por enquanto, é possível acompanhar a construção do espaço pelo instagram @het.dorp.

 

Ângela Dijkstra

Casada há 31 anos com descendente de holandês, Ângela Dijkstra gosta muito de queijos e fez curso de queijeira na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)  – Escola Tecnológica de Leite e Queijos.

Receita exclusiva por Ângela Dijkstra

Por enquanto Ângela só produz para o consumo familiar e para amigos, há dois anos está testando receitas. “Temos a matéria prima e sou apaixonada por queijos. Ganhei uma receita de uma tia, mas estou fazendo o meu queijo. Faço queijo artesanal com ou sem cominho, estou na fase de testes de sabores. Por isso, no momento não estou comercializando. Quero ter o meu queijo, com o sabor e ‘terruá’ aqui da fazenda”.

Os planos de Ângela para o próximo ano é construir uma fábrica de queijos e começar a vende-los.

 

David Nolte

Matadouro – acervo Parque Histórico de Carambeí

David Nolte, também é descendente de imigrantes holandeses, sempre ouviu seu pai falar que seu avô e bisavô faziam carne defumada. Ainda lembra de quando era pequeno e o seu avô matava um carneiro, um boi ou um porco e toda a família se reunia para temperar a carne, fazer linguiças. “Meu avô tinha um tempero especial para colocar na carne de carneiro e ainda hoje algumas pessoas usam a mesma receita para temperar”, conta.

Vendo a esposa e a cunhada empreender com a produção de queijo artesanal, unindo o gosto em preparar carnes, David resolveu se arriscar no ramo dos defumados e maturados. “Com o trabalho da minha esposa e cunhada na produção artesanal, com todas as histórias que ouço do meu avô e bisavô no preparo de carnes, unindo o meu gosto em preparar carnes me senti motivado em resgatar essa tradição da minha família e começar a fazer defumados e maturados como os meus antepassados”.

Produtos maturados e defumados com a qualidade da produção artesanal

O trabalho com as carnes está iniciando, as receitas são do curso que está fazendo, se sente instigado a produzir alimentos de qualidade e sem produtos artificiais. “Infelizmente não tenho receitas de família. Estou começando a fazer uns defumados, pretendo fazer alguns produtos maturados e mais no futuro fazer umas linguiças. Produzir carnes de qualidade e sem tantos aditivos, que normalmente são encontrados nos produtos industrializados, me motiva a trabalhar com a produção artesanal”.

David está produzindo copa, lombo, bacon, mignon defumados, logo iniciará a produção de carnes maturadas e salames em geladeira com temperatura e umidades controlados e linguiças. Em seu cardápio ainda pretende incluir prosciutto speack, culatelo e presunto tipo parma. Por enquanto a produção é um hobbie e está se aperfeiçoando.

 

Ari Los

Charqueada – acervo Parque Histórico de Carambeí

Descendente de imigrante holandês, Ari Los carrega a tradição familiar do trabalho com carnes e linguiça. No início da Colônia Carambeí, o senhor Leonardo Los, avô de Ari, tinha uma mercearia na entrada da cidade e fazia charque, na época não havia como conservar a carne e então ela era mantida no sal. Anos mais tarde Daniel Los, filho de Leonardo, abriu um açougue nas proximidades da antiga mercearia e começou a fazer linguiça, carnes defumadas, patê de fígado e queijo da cabeça do porco.

A tradicional receita de família 

Ari, acompanhou o trabalho do seu pai com as carnes e linguiças, encontrou no resgate da produção de carnes defumadas e linguiças artesanais um modo de manter viva a memória de Daniel Los. “Quero que os produtos tenham o mesmo sabor dos produzidos por meu pai, vou usar a mesma técnica e até utensílios dele. Já fiz alguns experimentos, contei com o auxílio de um irmão que também ajudava o meu pai na produção. Consegui preparar a carne e a linguiça do mesmo modo que o meu pai fazia, principalmente manter o sabor para preservar a lembrança dele”.

A produção é toda artesanal, o preparo da carne leva em torno de uma semana para ficar pronto para consumo, os produtos ainda estão em fase de testes e foram feitos apenas para a família e amigos. Ari está animado e em breve pretende iniciar a produção para comercializar.

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