Imigrante é responsável por cuidar do jardim do Parque Histórico

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O empresário fez curso na Grécia e possui muita experiência na área de jardinagem e paisagismo.

Os turistas quando visitam o Parque Histórico de Carambeí, maior museu histórico a céu aberto do Brasil, ficam encantados com a imersão cultural proposta e com a beleza da extensa área de jardins. O público fica surpreso ao descobrir que o responsável em cuidar e preservar o belíssimo espaço é um imigrante natural de Dhaka em Bangladesh, mas que aprendeu jardinagem na Grécia.

Ali Hasan

Ali Hasan, tem 36 anos, deixou a sua terra natal com 17 anos e levou em sua bagagem apenas um sonho de viajar e conhecer o mundo. O imigrante se estabeleceu em Carambeí e adquiriu nacionalidade brasileira, se tornou empresário e responsável por manter jardins de empresas que são destaque na cidade e áreas residenciais.

Para conhecer a história do jardineiro profissional e sua trajetória até chegar ao Brasil é necessário viajar com ele. “Em Dhaka estudava e ajudava meu pai na lavoura de arroz, mas meu sonho era viajar e conhecer outras culturas. Saí da casa dos meus pais muito cedo, acompanhado por amigos e meu primeiro destino foi a Turquia, gostava muito da história desse país e achava muito bonito pelas imagens que via, lá trabalhei em uma empresa de confecção”.

Da Turquia ele partiu para o Irã, o custo da viagem não era muito alto e conseguiria pagar, para ter uma renda conseguiu um emprego em uma fábrica de pratos. Seguiu sua viagem com destino ao Paquistão, onde também trabalhou com confecção, nesse país permaneceu mais tempo e ficou cerca de 1 ano e 2 meses.

Do Paquistão retornou para o Irã, passou pela Turquia com destino a Grécia. Foi no país grego que Ali aprendeu o ofício da jardinagem e paisagismo, sempre trabalhou com o seu pai e essa era uma área que ele gostava muito, chegou a ser gerente de uma empresa de jardinagem. Após 5 anos e 6 meses resolveu viajar de férias para a Itália e depois do passeio voltou para a sua terra natal.

Em 2008 abriu uma loja em Dhaka, queria ficar próximo da família, mas quando sua empresa foi assaltada ficou desmotivado e decidiu deixar tudo com seu cunhado e viajar novamente.

O destino de Hasan era o Brasil, chegou no dia 18 de outubro de 2011, mas o passeio para conhecer o país foi adiado porque logo na chegada a sua bagagem e documentos foram roubados. “Tive que ligar para um amigo que passou o contato de um conhecido que estava em Carambeí, essa pessoa me buscou em São Paulo e chegando na cidade consegui um trabalho em uma grande empresa para trabalhar com o abate halal, setor responsável em realizar o abate dos animais seguindo os padrões islâmicos”, relata Hasan.

Na chegada ficou encantado com a cidade, os grandes jardins chamaram sua atenção. “Logo que cheguei em Carambeí gostei, tem muitos jardins e com o meu trabalho comecei a investir em equipamentos de jardinagem. Meu desejo era trabalhar com jardins como fazia na Grécia”, conta.

Para investir na área era preciso conhecer e ganhar confiança da comunidade, mas para um imigrante recém-chegado ao Brasil ficava mais difícil. Foi então que decidiu pedir emprego no Parque Histórico, o cartão postal da cidade que possui uma ampla área de jardins. “Pedi emprego para a gerente do Parque, contei que era imigrante, que trabalhava em uma grande empresa da cidade fazendo abate halal, que gostaria de trabalhar aqui aos finais de semana e disse que poderia ser em qualquer área. Levei alguns não, mas fui insistente e logo comecei a trabalhar no Koffiehuis Confeitaria e Restaurante para retirar e limpar as mesas. Aos poucos foram me conhecendo, respeitando e ganhei confiança para pedir demissão e abrir a minha empresa de jardinagem”, expõe.

A equipe de jardinagem do museu

Ali trabalhou 3 anos e 5 meses com abate, nesse período conciliava o trabalho no Koffiehuis Parque Histórico aos finais de semana. Quando saiu da empresa começou a cuidar de uma parte do jardim do museu e das flores, em pouco tempo todo o jardim passou a ser cuidado por ele e dois funcionários. O jardim do Parque Histórico que sempre foi bonito, passou a encantar os visitantes e a comunidade, esse foi o seu principal cartão de visitas para conquistar novos clientes. Atualmente cuida de 17 jardins residenciais e 4 empresariais, conta com a ajuda de 3 funcionários.

“Aqui fiz bons amigos e tive boas oportunidades, todos me acolheram e sou feliz aqui. Não quero mais ir embora do Brasil, volto para Bangladesh somente para visitar meus pais que não querem sair de lá, mas ainda quero trazer meus irmãos para Carambeí, já trouxe um”, anima-se e dedica a Deus a sua permanência aqui. “Nunca imaginei que ficaria aqui, primeiro queria conhecer o Brasil e daí escolher um lugar para passar uma temporada, mas Deus sabe o que faz e onde fincar nossas raízes. Precisamos fazer nossa parte, dar o nosso melhor e Ele cuida de tudo”.

Depois que se estabeleceu em Carambeí já visitou o Paraguai, a Índia e o Peru. O empresário diz que seu próximo destino será a Holanda, quer conhecer os Países Baixos e buscar inspiração para aperfeiçoar o seu trabalho no Parque Histórico que é um memorial da imigração holandesa. Em busca de novidades, para implementar em seu trabalho pretende viajar para os Estados Unidos e para o Canadá, conhecer o que há de modernidade em equipamentos de jardinagem. “Estou sempre em busca de novidades, de aprender e implantar melhorias no meu trabalho. É gratificante quando os visitantes do museu elogiam os jardins, isso motiva a sempre fazer melhor”, finaliza.

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