Corpo técnico do Parque Histórico participa de treinamento de acessibilidade

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A oficina possibilitou a equipe uma reflexão e instigou a pensar em ações para atender aos diferentes tipos de público.

O corpo técnico do Parque Histórico de Carambeí recebeu treinamento de acessibilidade. Este é o terceiro ano que o museu realiza a oficina Sentir-se no Outro ministrada por Bruna Pontes Kremer, pedagoga e especialista em inclusão. O intuito é oferecer um atendimento adequado a todos os públicos que visitam o Parque Histórico, conforme as suas particularidades.

“Os treinamentos de acessibilidade são realizados no museu há pelo menos 4 anos, tanto que já faz parte da programação interna da instituição. A oficina Sentir-se no Outro é importantíssima no exercício da empatia e para compreender as limitações e barreiras impostas ao público com deficiência, é realmente um exercício de se colocar no lugar do outro”, expõe Felipe Pedroso que é historiador e coordenador cultural do Parque Histórico.

A pedagoga reforça a fala do coordenador cultural e explica o que busca proporcionar com o treinamento. “O objetivo de uma oficina de acessibilidade é fazer compreender e sentir o que, de fato, é preciso para que haja uma inclusão efetiva e uma boa acolhida de todas as pessoas que estiverem visitando o Parque”, afirma que a tecnologia deve ser uma aliada para atender ao público e deste modo proporcionar uma visitação sem barreiras. “Desde que iniciamos os treinamentos, até os dias de hoje, muita coisa mudou no campo da tecnologia, principalmente em consequência da Pandemia. São muitos os aplicativos voltados para as pessoas com deficiência, que facilitam e deixam ainda mais prazerosos os passeios”.

Pedroso ressalta que a instituição precisa investir em infraestrutura para atender ao público em suas limitações, mas que o treinamento auxilia no acolhimento e ensina ao corpo técnico como se portar em diferentes situações.  “Além da acessibilidade na estrutura, que possibilita um espaço com a menor quantidade de barreiras possível para, assim, facilitar a mobilidade, e investir em uma infraestrutura toda adaptada para variadas deficiências, o treinamento de equipe para atendimento e hospitalidade dedicada a esse público também se faz necessária”.

Lucas Kugler, historiador do Núcleo Educativo do Parque Histórico, participou de outros treinamentos, fala do diferencial que esta edição da oficina propôs a equipe e como ajudou pensar em melhorias. “O treinamento deste ano teve uma dinâmica diferente. No anterior, a empatia foi testada pela condição física, simulamos as deficiências com pesos, vendas e cadeiras de roda durante um percurso mediado pelo museu. Dessa vez, a simulação foi mais social. A equipe teve que se passar por pessoas com deficiência para propor melhorias de acessibilidade no espaço museal, imaginando as dificuldades que encontraríamos, enquanto uma parte da equipe propôs soluções mediantes às exigências”.

O estagiário Matheus Menarim, acadêmico de Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, participou pela primeira vez da dinâmica e enfatizou a necessidade de olhar com naturalidade para cada visitante, atender cada um em suas particularidades e deste modo tornar o museu o mais inclusivo possível. “Mesmo já tendo contato com visitantes com deficiência, foi bem legal poder conhecer um pouco mais das necessidades que essas pessoas buscam. Um dos pontos que achei mais interessantes foi a maneira que devemos abordar essas pessoas, independentemente do tipo de deficiência (visual, física, mental, etc.). Cada um possui suas particularidades, mas manter o ambiente e o contato com esse público de forma natural é o que importa. Fazer do museu um espaço para todos é um passo bastante complicado, mas com certeza é essencial para que mais pessoas possam conhecer a história da cidade, além de tornar tudo mais dinâmico e inclusivo”.

A equipe que trabalha no Núcleo de História e Patrimônio do Parque Histórico, responsável pela pesquisa olhou as exposições por um outro ângulo e sentiu a necessidade de investir em ações para atender a todos os públicos. “O treinamento foi muito interessante para além das informações a respeito da acessibilidade que é imprescindível. A atividade permitiu refletir sobre o que mais pode ser feito pela equipe do acervo, quais as possibilidades que podemos tentar implementar ou passar a utilizar a partir de agora em nosso trabalho a partir da ótica de quem precisa desse tipo de acolhimento. Quando falamos de acessibilidade pensamos somente no sentido de acesso, como: rampas, áudio guia, libras, placas em braile, maquetes táteis e etc. Como tornar as nossas exposições mais sensoriais?”, indaga a historiadora Karen Barros.

A ação possibilitou uma discussão entre os setores do museu, de modo que trabalhando em conjunto possam atender em suas distintas necessidades. “Após o treinamento discutimos internamente sobre as possibilidades de tornar parte das nossas exposições tocáveis. Uma tentativa de aproximar e desenvolver a sensibilidade ao toque, tornando mais inclusivas e objetivas para esse público. Parece algo básico e pouco significativo, mas sabemos que seria algo extremamente importante, sentir o objeto e garantir a democratização do acesso à cultura. Essa será uma proposta realizada em conjunto com o Núcleo do Educativo”, comenta Barros e Kugler reforça as considerações da historiadora de que é necessário unir forças para tornar essas ações viáveis. “O treinamento foi proveitoso, além de lúdico, para nos conscientizarmos a respeito das demandas de acessibilidade que precisamos desenvolver dentro do museu. Esta é uma demanda que exige a parceria entre os diversos setores, como o educativo e o acervo justamente para se pensar na logística por trás de uma expografia e de uma mediação acessível e, também, a gerência para a execução e administração dos projetos propostos”.

 

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