Sobre a Mostra

A mostra fotográfica “Entre o rural e o urbano: configurações do espaço em Carambeí” possui o intuito de resgate do cotidiano, uma viagem através dos olhos dos moradores, onde é possível observar momentos que fazem parte da construção de Carambeí. A cidade é considerada o principal cenário quando pensamos em transformação. Aparentemente é onde seria possível evidenciar o desenvolvimento e as mudanças ocorridas na sociedade, palco de ação de diversos sujeitos históricos.

As fotografias são recortes de memória, são lembranças de um momento e uma mensagem que perpassa os limites temporais, que nos traz uma experiência vivida. Ativada pela sensibilidade humana, nos dá a ilusão da realidade. Se a fotografia é um documento passível de ser interpretado e analisado, contextualizado possui sentidos e significados que podem ser alterados ao longo do tempo. A imagem mostra o que os olhos fotografaram, momento este em que congelamos a memória, a maneira como foi interpretado aquele momento. O enquadramento da foto é uma escolha, uma visão de mundo de quem decidiu perpetuá-la.

A intenção da mostra é a necessidade de refletir sobre a paisagem que nos cerca, mesclando elementos do ambiente urbano e do ambiente considerado natural, entender quais são os aspetos que moldam esse território. Já não é mais possível pensar de uma maneira simplista ou rasa a relação que os seres humanos constroem com seus espaços de vivência, nesse sentido a seleção das fotos levou em conta o elo entre paisagem e intervenção urbana. “As cidades são territórios emblemáticos e míticos onde a presença da natureza tem, para além da vertente ecológica, um valor simbólico que as liga a um espaço, uma memória e uma cultura.”

Se a fotografia tem relação com a experiência vivida, aproximando-se de documento histórico enquanto um documento monumento, Sua função também é a de gerir sensações, apresentar visões (sejam essas emoções de alegria, comoção) ou de afirmação enquanto um sujeito deixando sua marca no mundo.

As fotografias aqui possuem expressões que giram em torno das relações sociais, cotidianas e de trabalho. A fôrma que molda a cidade. A maneira como a cidade está disposta, é parte da comunicação e de um discurso de identidade, é um processo em que a representação parece tentar externalizar, é o olhar de fora para dentro.

As imagens que aqui retratam a urbe, o cotidiano, dão indícios mesmo que de maneira singela, como os sujeitos históricos constroem seu pertencimento com a paisagem. É também a afirmação de uma possível cidade ideal. É o ato de registrar a transformação, congelar a identidade. As imagens dão alusão a captar uma paisagem urbana modificada, a ideia de intervenção na paisagem. As casas de Carambeí, apresentada através das fotos, trazem muitos resquícios de um passado. Essas permanências oriundas de uma cultura holandesa reflete na disposição das casas, nas suas fachadas e na maneira como utilizam a paisagem para construir suas residências.  Uma bagagem cultural que se mescla com a paisagem local. O terreno de Carambeí possui marcas, marcas das antigas construções, dos galpões que existiam em muitas casas. Marcas dos primeiros moradores vivendo em suas casas de madeira, um material tão pouco usufruído nos Países Baixos onde era comum deixar os tijolos a vista, se beneficiando de sua estética.

A composição das construções reforça a ideia do individualismo e da privacidade, noções essas oriundas de práticas cultural e religiosa. Os grandes jardins dão a sensação de uma vida mais privada, uma característica que se difere de muitas cidades brasileiras, onde as casas são espremidas entre os pequenos quintais.

A forma como as casas estão dispostas no terreno, também nos traz a sensação de privilegiar a paisagem ao entorno, as janelas sempre dando para áreas arborizadas e varandas com adornos florais.

É possível observar isso ao percorrer a principal rua da cidade, a Avenida dos Pioneiros. Com a lógica de se viver da porta para dentro, os grandes jardins com uma fachada de frente pra rua, é na verdade uma influência construções norte-americanas, e sua disseminação ocorreu por várias regiões do mundo na década de 1940.

Todas essas características fazem uma reconstrução, uma visão de mundo. De certa forma é uma paisagem inventada. Invenção essa aos olhos dos imigrantes, uma maneira de pertencimento ao local, de construir todo um simbolismo entorno de uma cultura já distante fisicamente.

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