A mostra fotográfica As Práticas Esportivas na Colônia Carambeí tem o objetivo de mostrar aos visitantes o papel do esporte na sociedade carambiense. O esporte sempre teve um local de destaque na vida social e cultural das famílias imigrantes na colônia, mas foi na década de 1920 com a vinda de migrantes alemães que as práticas esportivas tiveram de fato seu início e se intensificaram como atividade recreativa.

Os jovens germânicos criaram a Associação de Práticas Esportivas, nela eram realizadas também aulas de ginásticas e outras atividades, porém, de início havia uma certa resistência dos mais velhos que viam nessas atividades uma possível falta de pudor. O estranhamento entre gerações não durou muito tempo e as práticas esportivas foram liberadas, desde que assistidas por algum adulto.

Além do clube de ginástica, havia também um clube de Handebol dos jovens alemães, divididos entre times femininos e masculinos. Nas décadas seguintes o grande protagonista do esporte foi o futebol masculino, com início tímido, ainda com aspecto de jogos de várzea, gradativamente foi se desenvolvendo a medida em que se mesclaram os times da colônia com o da cooperativa, chegando inclusive a disputar torneios regionais.

Nas décadas de 1970 e 1980 viu-se emergir a febre do atletismo e do vôlei de quadra e entre 1980 e 1990 a modalidade dos jogos de tênis, que teve grande aderência na comunidade. Um fator preponderante para o desenvolvimento dos esportes em Carambeí foi a criação dos torneios intercoloniais, o Zeeskamp, Olimpíada Intercolonial das Comunidades Holandesas, um evento esportivo anual de interação entre as seis colônias de imigração holandesa no Brasil.

As Olímpiadas

As Olímpiadas possuem uma história própria, marcadas por ressignificações, simbologias, que nos remetem à Antiguidade Clássica. Na qual a demonstração de força, rapidez e inteligência por parte dos atletas, serviam como um ato de devoção às divindades que defendiam o Monte Olimpo. Ao seguirem os princípios de “Citius, Atius, Fortius”, sendo respectivamente, as palavras gregas – o mais rápido, o mais alto, o mais forte. 

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Com relação aos esportes, o atletismo predominou por anos seguidos, pelo fato de o corpo esbelto ter uma importância significativa na cultura e, aos valores estéticos greco-romano. A corrida serve como amostra do uso total do físico, ao saber a dosagem correta de fôlego a ser utilizado nos diversos percursos (com ou sem obstáculos), uso de força, entre outros atributos corporais, que demandam treinos intensos e exaustivos por parte do praticante. 

Todavia, nem só de corridas vivem os esportes, com a virada do século XIX para o século XX, houve-se a ampliação e a incorporação de aproximadamente 33 modalidades. Podemos destacar as seguintes que entraram em voga: ciclismo, esgrima, ginástica, halterofilismo (levantamento de peso(s)), lutas, natação, tênis, basquete, futebol, handebol, tiro etc.

O objetivo central das Olimpíadas é tornar global, conectada e cada vez mais presente as práticas esportivas ao redor do mundo. Podemos notar inclusive a sua logo, são cinco arcos em cores diversificadas, que representam os cincos continentes mundiais. Da Ásia a Europa, da América a África, o esporte é uma forma de aproximar pessoas que provém de culturas, vivências e experiências distintas umas das outras, mas que fazem um elo através dessas competições televisionadas.

Após essa breve introdução acerca das Olimpíadas, faz-se necessário pensarmos historicamente de que forma as práticas esportivas podem se entrelaçar com a atuação do Parque Histórico de Carambeí, e com a própria história dos imigrantes holandeses, portanto, nada melhor do que historicizarmos tais informações.

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As práticas esportivas

na colônia holandesa de Carambeí (1911 – 1986).

No livro intitulado “Carambeí 75 anos – 1911 – 1986”, autoria de um dos imigrantes holandeses, Hendrik Adrianus Kooy, o qual viera após a 2º Guerra Mundial e tivera um destaque importante, ao tornar-se um dos principais intelectuais da colônia holandesa em Carambeí. 

Seu livro busca traçar uma trajetória histórica dessa colônia, desde a sua fundação até às comemorações de seus 75 anos, com uma linguagem acessível e suscinta para diversos públicos. Ele aborda os principais aspectos, fatos, dados, anedotas que ocorreram entre o início e quase término do século XX em Carambeí. Servindo-se dessa fonte histórica, podemos refletir um pouco mais a respeito da imigração holandesa nos Campos Gerais, as transformações ocorridas na sociedade, processos de urbanização, entre ouras temáticas. 

Nesse sentido, por se tratar de uma escrita memorialista, a obra apresenta sujeitos e traz à tona a história de homens e mulheres que trouxeram consigo costumes, hábitos, formas de ser e agirem, tipicamente europeus. Logo há um enaltecimento dos esforços realizados por tal grupo, ao se transferirem e alojarem em outro país. Entretanto, tal pesquisa possui o enfoque voltado aos Esportes, ao nos referirmos às fontes utilizadas, devemos ser claros e o objetivos com relação aos seus usos. 

Para os “pioneiros”, grupo denominado assim, pois fizeram parte da primeira leva de imigrantes a desembarcarem em Carambeí em meados de 1911, trouxeram enraizados consigo a ideia de que o Domingo era um dia religioso, feito para se resguardar, rezar, tido como um descanso merecido após uma jornada extensa de trabalhos manuais durante a semana. 

Logo, quando os jovens advindos da Alemanha fundaram na década de 1.920 em Carambeí uma “associação de práticas esportivas”, onde eram realizadas também aulas de ginásticas, momentos esses em que, os mais velhos olhavam com certo receio as vestes que as moças e rapazes utilizavam para tais atividades, achavam aquilo desrespeitoso. 

Se o domingo era visto como o dia de integrar a comunidade a partir da religião, podemos pensar que durante algum tempo o esporte viveu um período ofuscado. Porém, além do clube de ginástica, havia também um clube de Handebol. Numa certa ocasião, na década de 1.930, o pastor Muller realizou uma visita à propriedade de Hendrik Harms, o qual possuía um grande pomar, local em que os jovens da colônia se encontravam para jogar bola (vôlei, handebol) e socializarem. Todos eram observados sob os cuidados de “Tia Teu”, esposa de Harms. O pastor chegou a comentar algumas palavras com ela, todavia, a resposta dessa mulher foi a seguinte: “Escuta pastor, desta maneira todos estão juntos comigo. Parece-me melhor que eles pratiquem algum esporte, assim vejo o que fazem no domingo, e não saem por aí sem saber o que fazer.” 

Pelo fato do esporte ser algo muito abrangente, não se limitando apenas a modalidades praticadas num local específico. Em momentos solenes e festivos, as pessoas da colônia gostavam de “acertar a bacia ou balde” na língua holandesa – tobbetje steken. […] muitos se molhavam porque não acertavam o buraco com a vara e assim viravam o balde com a água”.

O futebol sempre tivera destaque e espaço entre um dos esportes favoritos da população brasileira, desde a sua institucionalização realizada pelo presidente Getúlio Vargas, nos finais da década de 1930. Por unir descontração, sociabilidade, espírito de equipe e paixão, entrou facilmente no gosto do povo. 

Na colônia holandesa em Carambeí, esse contágio não seria diferente, na década de 1950, as partidas de futebol aqui realizadas tinham o apoio de todos os colonos, quando o time vencia a vibração era maior ainda. Por conta da dificuldade logística, transporte e por decorrência do time não atuar aos domingos, eram realizados treinos aos sábados.

Quando ocorria alguma partida de futebol na cidade de Castro, a alegria era compartilhada e dobrada, pois era fretado um caminhão para realizar tal trajeto, jogadores e torcedores rachavam as despesas da viagem. Apesar da existência da linha férrea e da presença do trem sobre esses trilhos, os horários não eram compatíveis. A união mostrava-se a maior força dentro e fora de campo.

O Jornal Batavo foi um periódico que circulou pela colônia de Carambeí entre os anos de 1975 até 1991. Esse jornal possuía um papel de veículo de informações e, aproximações à população que se encontrava no entorno dessa comunidade. Um fato importante é que o esporte sempre teve um papel de destaque em suas edições e a prática esportiva era amplamente apoiada pela cooperativa, que via nelas uma ótima oportunidade de interação e de sociabilidades entre seus membros e a própria comunidade.

 

Nota-se que o esporte passou a ser valorizados na colônia, com a presença de times de futebol (de campo), futsal (ao qual era denominado por futebol de salão), vôlei, basquete, jogos de baralho (truco, formados por duplas, nesse caso), xadrez, tênis de mesa, ginástica rítmica, entre outros, aos quais concorriam e ganhavam títulos a níveis municipais e estaduais.

Essas equipes, em muitos dos casos, eram compostas por colaboradores da própria Cooperativa, onde cada setor da empresa correspondia à formação de um time, como no caso dos times de futsal; contabilidade, compras, comunicação etc. Um exemplo notável, são os escritos de algumas edições que traziam o desempenho desses times nos campeonatos que participavam.

 

Apesar de constar geralmente nas últimas páginas dessas edições, vê-se que o esporte toma corpo e familiaridade com o público como um todo. O futebol possuía um certo destaque, pois os jogos eram um dos espetáculos mais aguardados. Logo, as Copas do Mundo recebiam páginas especiais dentro dessas edições, contendo uma análise das seleções que iriam participar, contra quais equipes se enfrentariam, os jogadores que foram convocados a defenderem suas respectivas pátrias, dentre outras curiosidades futebolísticas e/ou históricas.

Ficha Técnica:
Curadoria: Felipe Pedroso
Assistente de pesquisa: Rafael Silva
Arte e Diagramação: Lucas Los
Acervo: APHC e Frísia Cooperativa Agroindustrial

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